Carreira

A Difícil Vida do Candidato a Emprego

Texto extraído de: Administradores.com

Não adianta chorar. Você perdeu seu emprego na última empresa e decidiu que não valia a pena esticar o assunto quando seu superior lhe deu a notícia da demissão e no contato com o Departamento de Pessoal achou que não valia insistir em razões e causas para não complicar as contas e assegurar boas informações cadastrais. Agora não há muito que fazer. Apenas assegurar que se alguma empresa interessada fizer contato, as informações sobre sua ficha serão boas e que seu ex-chefe, se contatado, não criará problemas para sua candidatura.

A zona do conforto

Certamente lhe ocorrerá descansar uns tempos, tirar umas férias merecidas, passear o cachorrinho da casa, ir à feira do bairro e adotar outras ações do repouso do guerreiro cansado. Também lhe ocorrerá pôr em ordem as declarações do Imposto de Renda, os extratos de Banco e todos aqueles documentos que andam pelas gavetas, esperando o dia em que seja possível organizá-los. Haverá tempo, ainda, para consertar as pequenas coisas da casa, lavar o carro e assim por diante.

Só que o tempo vai passando, o primeiro fim do mês chega e nada de dinheiro na conta. Talvez isso lhe incomode um pouco, mas com as verbas da liquidação do último emprego a situação ainda não é crítica e dá para – por enquanto – levar a vida sem maiores problemas ou preocupações. A esta altura, porém, já não há mais que fazer em casa, os documentos estão em ordem, a conta do banco também, a feira não tem mais graça e o latido do cachorrinho começa a incomodar. Sua mulher e as crianças já começam a reclamar e nessa hora não dá mais para ficar assistindo a “Sessão da Tarde” na TV e que é preciso sair à luta, em busca de uma nova ocupação que lhe dê uma motivação de vida e lhe tire da aparente zona de conforto em que se meteu.

As alternativas possíveis

É preciso partir para o mercado de trabalho em busca de uma nova colocação, de uma nova atividade, que consuma a sua energia e o faça retomar seu orgulho de chefe de família provedor e preencha sua necessidade de se sentir útil. E nessa hora começam a lhe ocorrer as alternativas possíveis: a consultoria profissional, a montagem de um negócio próprio, a docência universitária ou um novo emprego, já que a aposentadoria não é nem desejável, nem viável.

Se sua história profissional for voltada para a área administrativa ou técnica, com muito conhecimento e experiência, a consultoria pode ser uma alternativa, lembrando, porém, que a concorrência hoje, em todos os ramos é muito grande e competitiva. Mas se você tem o “know- how” e a garra necessária, o mercado sempre tem lugar para mais um.

Claro que pode ter sido um sonho de sempre a criação de um negócio próprio em áreas que talvez nada tenham a ver com sua carreira até agora. É uma imobiliária, uma pizzaria, um escritório de contabilidade, uma loja de computadores ou coisa parecida, um negócio seu, no qual você investirá  seu capital, a sua energia e a sua experiência e buscará o sucesso empresarial e financeiro. É sempre uma alternativa a considerar.

A docência universitária é uma alternativa difícil, principalmente porque a remuneração pode não lhe ser suficiente e a carreira demanda uma alta escolaridade que muitas vezes o executivo profissional de carreira não tem. Talvez possa ser mais adequado se a atividade docente puder ser acoplada à atividade de consultoria. As duas coisas se somam bem, quando o profissional pode se dedicar a ambas simultaneamente.

Finalmente, se ao ponderar sobre as circunstâncias de sua situação de profissional disponível no mercado, lhe parecer que as alternativas acima apresentadas não são viáveis ou interessantes, então a sua luta no Mercado de Trabalho se inicia e você deverá sair em busca de um novo emprego, que deverá fazê-lo retornar àquela situação que conhece bem e para a qual está mais bem preparado.

A busca pelo novo emprego

Só que aí é preciso retornar à difícil vida de candidato a emprego, com todas as decisões, trabalhos e aborrecimentos naturais e necessários para se alcançar sucesso na empreitada. Qual é o seu foco de busca? Sua empregabilidade estará alta ou baixa atualmente? Seu currículo está atualizado ou velho de conteúdo e de formato? O que você pode oferecer de escolaridade, inglês ou espanhol, de tecnologia da informação ou de uma experiência internacional? E o seu histórico de carreira, que mostra? Ajuda ou atrapalha? E assim por diante, analisando e avaliando sua vida profissional para poder voltar ao mercado.

Decidido o seu perfil de candidato a vaga de emprego e bem elaborado e formatado seu novo currículo, trata-se agora de divulgá-lo para o mercado, encaminhando-o para todas as pessoas e agências que possam ajudar a promover sua candidatura no mercado: network de relações, headhunters, recursos humanos de empresas, jornais e revistas, bancos de vagas e redes sociais. A network é muito importante porque através dela se consegue indicações e recomendações pessoais, tão relevantes como divulgação qualificada. Os headhunters também, porque são detentores das melhores vagas no mercado e precisam ser tocados pela sua divulgação. Hoje em dia jornais e revistas perderam muito de sua condição de agências para recolocação, mas ainda tem que ser considerados nos fins de semana. A velha mala direta de 1.000 cartas ninguém mais recomenda, os bancos especializados em currículos e vagas são hoje uma alternativa importante para a divulgação de candidaturas e as redes sociais também são úteis pela aproximação de pessoas.

O dramático da procura de emprego quando se está desempregado é de se desenvolver toda essa atividade e os resultados chegarem devagar. Dizem os consultores especializados que um gerente pode levar seis meses para se recolocar e que um Diretor ainda pode levar mais tempo. E isso quando o mercado de trabalho para executivos e profissionais está normal, porque quando a economia desacelera e entra em crise, tudo fica mais difícil e leva mais tempo.

O sucesso, afinal!

Mas quando chega um telefonema de uma empresa ou consultoria querendo sua visita e interessadas em seu currículo e na sua candidatura, as coisas mudam a alegria volta e tudo se aceita. O atendimento superficial de uma primeira entrevista, a longa espera nas ante-salas, os testes cansativos, as idas e vindas, as dinâmicas de grupo, as muitas entrevistas e todo um conjunto de etapas a queimar em cada processo, em cada oportunidade. Mas não adianta, candidato a emprego sofre mesmo e é preciso aguentar, ser charmoso, inteligente, com boa postura e sorriso nos lábios. O bom é que quando se consegue o emprego tudo passa e uma nova perspectiva se abre à nossa frente. Alcançamos o sucesso. Mas que é difícil, é!

Laerte Leite Cordeiro  Presidente da Laerte Cordeiro Consultores em Rec. Hum. em São Paulo.

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Uma Reposta para “A Difícil Vida do Candidato a Emprego”

  1. On 4 de janeiro de 2013 at 17:44 RAFAEL MARCOS GARCIA respondeu com... #

    Parabéns pelo site. Jesus é fiel

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