Inclusão

A Lei das Cotas: da contratação ao trajeto profissional

A Lei das Cotas da contratação ao trajeto profissional

Como qualquer outro colaborador, o profissional com deficiência tem expectativas de crescimento e vontade de progredir na carreira

Texto extraído de Blogs Estadão
Escrito por Sandra Loureiro, professora da PUC e psicóloga

A Lei n° 8.213, a chamada Lei de Cotas, significou importante avanço nas políticas sociais de inclusão e trouxe para as empresas questões que vão muito além do preenchimento das cotas: o desafio de repensarem como priorizam e respondem estrategicamente às necessidades de uma força de trabalho diversa.

Em vigor desde 1991, a legislação determina que as empresas com 100 ou mais funcionários preencham de 2% a 5% do seu quadro com pessoas com deficiência (PcDs). Define pessoa com deficiência aquela com algum tipo de limitação física, mental, sensorial ou múltipla, que não lhe permita executar tarefas normais do dia a dia sem algum tipo de auxílio, dificultando, portanto, a sua inclusão social.

A contratação de profissionais com deficiência envolve mudanças na empresa, sejam elas físicas (construção de rampas para cadeirantes, por exemplo) ou sociais e culturais entre os colaboradores, para desconstruir conceitos (e preconceitos) e paradigmas enraizados no inconsciente de grande parte daqueles que nunca conviveram com pessoas com deficiência. Implica em mudanças na maneira de pensar e agir da organização.

A maioria das empresas ainda coloca seu foco no cumprimento da cota. A dificuldade de inserção das PcDs e a falta de preparo do mundo corporativo para absorver este profissional e fazê-lo progredir na empresa se traduzem em comportamentos que vão desde a segregação até a falta de reconhecimento de sua capacidade laborativa.

Como qualquer outro colaborador, o profissional com deficiência tem expectativas de crescimento e vontade de progredir na carreira. As organizações e, mais especificamente, os gestores, alicerçados pelo RH, devem assegurar às PcDs condições para desenvolverem plenamente seus talentos e potencialidades. Não se trata de um tratamento paternalista, mas de uma atuação responsável e humana, que respeite e leve em conta suas reais dificuldades.

Este é o grande desafio das empresas mais maduras nesta questão: permitir a emancipação da PcD por meio do reconhecimento de seu potencial, priorizando suas capacidades e não a deficiência. É uma forma inteligente de cumprir o dever e garantir práticas sustentáveis para seus negócios.

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