Inclusão

A Lei de Cotas e a Contratação de Pessoas com Deficiência

Por Jaques Haber

Sócio Diretor da i.Social

A Lei de Cotas que obriga empresas com 100 ou mais funcionários a contratar pessoas com deficiência têm provocado reflexões acerca do tema.

Uma delas, diz respeito ao grau de empregabilidade dos profissionais com deficiência no mercado de trabalho.

Será que, motivadas pela Lei de Cotas, as empresas estão dando preferência para a contratação de pessoas com deficiência em detrimento de pessoas sem deficiência?

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Motivadas pelo cumprimento das cotas, as empresas vem dispendendo esforços para contratar pessoas com deficiência, mas frequentemente se queixam da dificuldade em encontrar estes profissionais.

Entretanto, será que quando encontram um profissional com deficiência no perfil para a vaga, o fator “deficiência” ou “possibilidade de enquadramento para a cota” acaba se traduzindo em diferencial competitivo?

Temos visto que sim, com ressalvas. Nos casos em que as vagas são operacionais, pouco atrativas, o fato de possuir uma deficiência, desde que seja em grau leve, acaba por ser um fator determinante para a contratação.

Entretanto quando a disputa se dá por uma posição mais qualificada, a partir de um grau acima de um assistente administrativo, a situação se inverte completamente.

Na maioria destes casos a deficiência acaba sendo mais um fator impeditivo do que uma vantagem competitiva. Ainda vemos uma resistência muito grande por parte dos gestores em contratar pessoas com deficiência para cargos mais estratégicos, que não sejam apenas para cumprir cota.

O ciclo vicioso se completa com a grande oferta de empregos operacionais para pessoas com deficiência. Baseados na crença de que não existem pessoas com deficiência qualificadas a grande parte das empresas concentra seus esforços na busca por pessoas pouco qualificadas para preencherem posições de pouca relevância nas organizações.

Este cenário gera três consequências imediatas: (1) dificuldade em encontrar candidatos interessados nestas oportunidades, (2) reforça a tese de que as pessoas com deficiência não são qualificadas, pois os profissionais de RH e gestores acabam tendo contato apenas com candidatos pouco qualificados e (3) dificuldade de pessoas com deficiência qualificadas em encontrar oportunidades de trabalho compatíveis com suas pretensões profissionais e salariais.

Como reverter esta tendência e fazer com que a Lei de Cotas realmente propicie um diferencial competitivo para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho em todos os níveis organizacionais?

Esta é a pergunta que deixo aberta para discussão.

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3 Responses para “A Lei de Cotas e a Contratação de Pessoas com Deficiência”

  1. On 20 de agosto de 2013 at 16:59 Jorge Fernando Vieira respondeu com... #

    Sou formado em Ciência da Computação, faço pós em gerenciamento de projetos em TI e conto nos dedos as ofertas relevantes que já tive, infelizmente há uma grande má vontade de incluir, o que se faz é cumprir cota por cumprir e não como um up social tanto para a empresa quanto para o empregador.

    • On 28 de agosto de 2013 at 14:47 Jaques Haber respondeu com... #

      Olá Jorge Fernando;

      Infelizmente, seu depoimento traduz na prática o que disse no texto. As empresas ainda buscam a deficiência para cumprir a cota e pouco aproveitam a oportunidade para incluir profissionais mais qualificados e trazer mais diversidade para o ambiente de negócios.

    • On 16 de janeiro de 2014 at 0:02 Lúcio respondeu com... #

      Realmente o texto mostra de forma clara, a situação da pessoa com deficiência…… existem vagas, mas os salários ofertados são uma vergonha, e já se descobriu uma maneira de burlar a Lei. A questão de inserção de Pcds no mercado de trabalho, virou um grande negócio para algumas consultorias, que recebe uma ótima remuneração pra dar “cursos” de capacitação com promessas de contratação, onde oferece apenas um auxílio alimentação ou transporte, e no final ninguém é contratado. É preciso detectar quem está adotando tais práticas que são lesivas ao trabalhador, e buscar algum modo de barrar tais práticas que são aviltantes, pois inviabiliza até mesmo o sonho de se trabalhar numa boa empresa e ter um salário digno. Com os formadores de opinião, a palavra.

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