Inclusão

As empresas estão incluindo pessoas com deficiência ou apenas “preenchendo cotas”?

As empresas estão incluindo pessoas com deficiência ou apenas preenchendo cotas

Por Jaques Haber, da i.Social

Empresas que pensam de maneira diferente promovem um ambiente corporativo mais inclusivo para profissionais com deficiência

Apenas 2% das empresas contratam pessoas com deficiência porque valorizam a diversidade; outras 3% declaram que acreditam no potencial destes profissionais e que este é o principal motivo para contratá-los. Infelizmente, essa é a realidade. Os números não estão errados.

De acordo com dados coletados em uma pesquisa que a i.Social realizou com profissionais de RH¹, constatamos que apenas 5% das empresas encontram-se no nível avançado quando o assunto é inclusão. A esmagadora maioria das empresas (86%) contrata pessoas com deficiência com o único objetivo de cumprir a Lei de Cotas.

O debate atual sobre inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho gira em torno da qualidade deste processo. Para entendermos como evoluir, devemos olhar para este pequeno grupo de empresas que conseguem enxergar a inclusão além da cota e já colhem benefícios ao apostar no valor da diversidade.

Quando a i.Social idealizou o Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência, em parceria com a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo e com a Fipe, pretendíamos, entre outros objetivos, responder algumas perguntas essenciais para melhor compreender o universo das empresas inclusivas.

Ao identificar as melhores práticas de inclusão, tivemos acesso ao “modus operandi” deste pequeno e seleto grupo de empresas que praticam inclusão de forma genuína. A este grupo, denominamos, internamente na i.Social, de “Tropa de Elite da Inclusão”.

O batalhão de choque da inclusão é composto por empresas muito diferentes entre si, especialmente de diferentes tamanhos e segmentos de mercado, o que comprova que ser inclusivo independe da área de atuação do negócio.

Apesar das diferenças, o que elas têm em comum?

“Apesar das diferenças, o que elas têm em comum?” São estas características que nos permitem entender melhor o que é ser uma empresa inclusiva. E como chegar lá.

Assim como em um pelotão de elite, identificamos que as empresas inclusivas possuem uma postura combativa. Contam com o apoio da alta liderança para enfrentar os desafios de incluir pessoas com deficiência e combatem qualquer tipo de preconceito entre seus colaboradores.

A atitude inclusiva e o apoio da alta liderança são os pontos principais, os pilares que sustentam a filosofia inclusiva. Mas um soldado de elite não depende apenas de sua disposição para a luta; ele também precisa aliar preparo e estratégia. E é exatamente isso que encontramos nas empresas inclusivas: planejamento, investimento e organização.

Uma empresa inclusiva sabe aonde quer chegar e quais resultados quer alcançar. A ideia de “não ter metas” e de “dobrar metas que não existem” não funciona. A igualdade de oportunidades é o objetivo maior!

Estas empresas não desistem no primeiro fracasso. Entendem que o processo de inclusão é um caminho longo, portanto elas têm maior disposição para tentar, errar, aprender e tentar novamente.

Fazem isto justamente porque acreditam no poder da diversidade. Porque enxergam valores nas diferenças e sabem que ser uma empresa inclusiva significa ser uma empresa para todos. Não apenas para seus colaboradores, mas também para clientes, fornecedores, comunidade e acionistas, ou seja, para seus stakeholders.

Lembro-me bem, no início da i.Social, quando o diretor de uma grande empresa de varejo nos contratou porque sabia que empregar pessoas com deficiência em suas lojas faria com que o atendimento dispensado aos clientes com necessidades especiais melhoraria.

Parecia que ele estava vestindo um óculos de visão noturna que lhe permitia enxergar além do alcance. Um visionário. Da mesma forma que enxergam as empresas inclusivas, além do alcance da Lei de Cotas.

¹Os dados são da pesquisa “Profissionais de Recursos Humanos – expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho”, realizada em 2015 pela i.Social.

9% das empresas contratam independente da cota ou deficiência, mas sim pelo perfil do candidato.

2 Replies to “As empresas estão incluindo pessoas com deficiência ou apenas “preenchendo cotas”?

  1. Pra falar a verdade, nem para integração do deficiente nem para preencher cotas. Não há uma fiscalização sobre isso. Fui reabilitado pelo INSS em janeiro de 2016, e vejo que o futuro para um PCD não vai ser fácil, mesmo investindo em minha qualificação.

  2. *** Oportunidade: Curso Gratuito para Pessoas com Deficiência Física. ***

    O curso tem o objetivo de desenvolver as competências pessoais e profissionais de pessoas com deficiência física e qualificá-los em conteúdos necessários para o ambiente corporativo, a fim de potencializar as chances de conseguirem uma oportunidade de trabalho. Inscreva-se: https://go.ey.com/2o5e3Vm. Vagas limitadas! #BetterWorkingWorld #EYInstitute #Diversidade #InclusãoSocial

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