Inclusão

Contratação de Pessoas com Deficiência

Dra. Linamara Rizzo Battistella

Entrevista da i.Social com a Dra. Linamara Rizzo Battistella

Com o objetivo de traçar um diagnóstico sobre a empregabilidade das pessoas com deficiência no mercado de trabalho estamos entrevistando os principais players do mercado para colher suas opiniões acerca dos desafios atuais que devem ser enfrentados e sugestões de soluções para o avanço desta empregabilidade.

A seguir a entrevista que a i.Social realizou com a Dra. Linamara Rizzo Battistella, Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Governo do Estado de São Paulo

Linamara Rizzo Battistella é Médica Fisiatra, Professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Governo do Estado de São Paulo desde 2008, Presidente do Conselho Diretor do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Presidente Honorária da International Society of Physical and Rehabilitation Medicine, Coordenadora do Núcleo de Apoio a Pesquisa da USP – Novas Abordagens em Reabilitação de Lesões Encefálicas, Aplicações, Desenvolvimento e Avaliação e Co-Coordenadora do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatematica – Neuromat, Coordenadora do Grupo de Trabalho Guidelines em Reabilitação do WHO/OMS.

i.Social: Em sua opinião quais são os principais obstáculos para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho?

Dra. Linamara: Precisamos eliminar mitos e equívocos relacionados à contratação das pessoas com deficiência. A taxa de ocupação da população com deficiência brasileira (43%) é bastante próxima da porcentagem de ocupação da população como um todo (44%). No Estado de São Paulo, aproximadamente 5 milhões de pessoas com deficiência estão trabalhando (o que representa 48% da população com deficiência). Na população como um todo, esse número atinge 55%. O Censo do IBGE de 2010 identificou que 2.8 milhões de pessoas com deficiência possuem ensino superior completo (incluindo mestrado e doutorado). Em tese, é um número mais do que suficiente para suprir as 937 mil vagas potencialmente criadas pela Lei de Cotas. É possível constatar que as pessoas com deficiência ainda vêm sendo subaproveitadas pelo mercado de trabalho. De acordo com levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), 68,9% delas sentem pouca ou nenhuma compatibilidade entre o cargo e escolaridade, comparado com 42,8% para pessoas sem deficiência.

 i.Social: O que poderia ser feito para impulsionar a contratação de pessoas com deficiência?

Dra. Linamara: Conscientizar o empresariado sobre as reais possibilidades da inclusão profissional é tão importante quanto fiscalizar o cumprimento da legislação, tarefa de responsabilidade exclusiva do Ministério do Trabalho. Assim como ocorreu com a entrada da mulher no mercado de trabalho, décadas atrás, a incorporação da pessoa com deficiência só traz benefícios para empresas, governo e sociedade. Em 2010, quase 11 milhões de brasileiros com deficiência em idade economicamente ativa estavam desocupados. Quando estiverem trabalhando, serão 11 milhões de novos consumidores.

i.Social: Qual é a sua avaliação final sobre o cenário atual acerca da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho?

Dra. Linamara: Segundo dados do Ministério do Trabalho, foi constatado em 2011 que cerca de 125 mil trabalhadores com deficiência estavam formalmente empregados no Estado de São Paulo pela Lei de Cotas. Se todas as empresas cumprissem a Lei, o Brasil deveria ter hoje mais de 900 mil pessoas com deficiência empregadas. São Paulo tem feito um grande esforço no sentido de criar condições para que a qualificação profissional chegue ao centro de reabilitação, às escolas de nível médio, aos serviços oferecidos pelo Estado, como o Via Rápida Emprego, aos Centros de Educação Profissional como o Centro Educacional Tecnológico Paula Souza… mas nós ainda precisamos do apoio de toda a sociedade. Os empresários de São Paulo têm se mostrado muito alinhados nesta luta, na valorização dos direitos das pessoas com deficiência. Isso significa que hoje o Estado de São Paulo ocupa 47,6% das suas vagas destinadas a pessoas com deficiência, pela Lei de Cotas. É um número expressivo e tem bastante significado. Mas ainda é pouco.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

Não GosteiGostei (Sem votos)
Loading...

i.social

2 Responses para “Contratação de Pessoas com Deficiência”

  1. On 14 de fevereiro de 2014 at 13:29 JesseJames respondeu com... #

    Caros,

    Gostei da matéria, mas o discurso está bem distante da pratica.

    O mercado não está para peixe. As vagas oferecidas são apenas para cargos de entrada… (ganhar pouco). Eu acho isso um absurdo.. Para que se qualificar se o mercado não quer contratar um profissional qualificado?!? Sou graduado, tenho 1 MBA, 2 especialização, inglês intermediário, no entanto, penso que sou invisível para o mercado. Já cansei de mandar CV… Cadastrar em varias consultorias (inclusive na Isocial) e nada… Nenhuma empresa quer pagar por um profissional qualificado!!! Será que isso não é descriminação? Será que todo deficiente precisa trabalhar apenas com call center?

    Vejam as vagas oferecidas no site da Isocial… Só oferecem vagas de pião admirativo… Nada contra quem trabalho com isso, mas precisamos estimular a reflexão!

    • i.social
      On 14 de fevereiro de 2014 at 13:43 i.social respondeu com... #

      Olá Jesse;

      Infelizmente você tem razão. As vagas que são disponibilizadas pelas empresas para pessoas com deficiência ainda são, na maioria, operacionais.
      Veja este texto aqui onde enfatizamos isso dizendo que as empresas contratam pessoas com deficiência para atender a legislação e não porque desejam contratá-los.
      E isso faz uma grande diferença! O impacto direto é a baixa qualidade das vagas que são oferecidas, pois essas contratações são encaradas como custo e não como investimento.
      A i.Social trabalha diariamente para transformar para melhor essa realidade, por meio de conscientização e informação, mas ao final não somos nós que determinamos quais são as vagas que serão abertas e oferecidas.
      Mas depoimentos como o seu são muito válidos. Ajudam, e muito, neste processo de transformação cultural!

Adicione sua resposta