Inclusão, RH Inclusivo

Contratação de Pessoas com Deficiência

Rosinha da Adefal

Entrevista da i.Social com a deputada federal Rosinha da Adefal

Com o objetivo de traçar um diagnóstico sobre a empregabilidade das pessoas com deficiência no mercado de trabalho estamos entrevistando os principais players do mercado para colher suas opiniões acerca dos desafios atuais que devem ser enfrentados e sugestões de soluções para o avanço desta empregabilidade.

A seguir a entrevista que a i.Social realizou com a deputada federal Rosinha da Adefal.

Rosinha da Adefal, deputada federal por Alagoas, é Presidente da Frente Parlamentar do Congresso Nacional em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; é Presidente da Organização Nacional das Entidades de Deficientes Físicos (Onedef) e Vice-Presidente da Confederação Brasileira de Basquete de Cadeira de Rodas; é bacharel em direito e servidora de carreira da Justiça do Trabalho; já foi vereadora por Maceió, capital de Alagoas, e já presidiu a Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal), entidade que lhe dá o sobrenome político.

i.Social: Desde que a RAIS começou a coletar dados sobre a quantidade de trabalhadores com deficiência no mercado formal de trabalho temos visto, conforme a tabela abaixo, que o número de contratações têm sofrido pouca variação, patinando na casa dos 300 mil profissionais com deficiência empregados. Estudos apontam que o número total de vagas geradas pela Lei de Cotas varia em torno de 800 mil a 1 milhão de vagas no Brasil todo. Por que não estamos conseguindo evoluir mais significativamente este cenário?

gráfico 1

Rosinha da Adefal: As pessoas com deficiência ainda são muito discriminadas, principalmente em razão do desconhecimento sobre essa condição.

Ainda são muitas as pessoas que acreditam que deficiência significa incapacidades e invalidez em todos os aspectos da vida. E nós, mais envolvidos com o tema, cada dia somos surpreendidos, tanto com o empenho das pessoas com deficiência de superarem suas limitações, quanto com as tecnologias, que cada vez mais permitem uma vida satisfatória e produtiva para as pessoas com algum tipo de limitação.

E porque tanto desconhecimento? Porque, por falta de acessibilidade, as pessoas com deficiência ainda são impedidas de chegar nos espaços públicos, e de uso público, inclusive a escola.  Não convivemos com a diversidade. E quando nos deparamos com ela, não sabemos direito como agir, o que fazer e nem sabemos as particularidades e necessidades das pessoas diferentes de nós.

Por não convivermos com a deficiência ficamos impedidos de perceber que, com as condições de acessibilidade adequadas, as pessoas com deficiência tem uma vida normal, satisfatória e produtiva, porque antes de se ser pessoa com deficiência, se é pessoa, como qualquer outra, com dons, aptidões e anseios.

Então, para combater essa invisibilidade o primeiro passo é promover acessibilidade, e permitir que a pessoa com deficiência participe e tenha uma vida pública e cidadã.

i.Social: Em sua opinião quais são os principais obstáculos para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho?

Rosinha da Adefal: São muitas as barreiras que impedem a plena inclusão da pessoa com deficiência. Mas a principal delas é a barreira de atitude.  Para que as pessoas com deficiência sejam plenamente incluídas temos de sensibilizar TODAS as pessoas: as que não tem deficiência, para que exercitem sua tolerância e respeito à diversidade; as que tem deficiência, para que acreditem em suas capacidades.

E acreditamos que o ambiente capaz de proporcionar essa mudança de comportamento social são os que se dedicam à educação, formal e não formal. Temos que retirar a pessoa com deficiência da invisibilidade. Temos que tocar neste assunto e mostrar que a deficiência é uma condição humana, que caminha em compasso com a humanidade.

O fato de termos nascido sem deficiência não nos garante terminarmos nossa vida sem enfrentar as limitações que ela nos impõe. Ainda mais em tempos de galopante violência social e de trânsito.

E é preciso que fique claro que ser acometido por uma deficiência não significa o fim de uma existência, mas a necessidade de aprender novas formas de viver e se relacionar.

A deficiência nos desafia; mas não nos paralisa.

i.Social: O que poderia ser feito para impulsionar a contratação de pessoas com deficiência?

Rosinha da Adefal: Como disse, o primeiro passo é promover acessibilidade nas escolas e inclusão escolar, permitindo que as pessoas com deficiência cheguem aos ambientes de formação e também permitindo que as pessoas com deficiência convivam com a diferença, para que finalmente se perceba que a deficiência não limita dons e aptidões, desde que sejam dadas as condições adequadas.

i.Social: Qual é a sua avaliação final sobre o cenário atual acerca da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho?

Rosinha da Adefal: Ainda temos muito o que avançar. O nosso foco tem que ser o combate à exclusão e ao desconhecimento do que vem a ser deficiência.

Ainda há muita falta de acesso às escolas. E ainda há muita resistência para a contratação das pessoas com deficiência.  Isso ocorre, em grande parte, pela falta do conhecimento do que vem a ser esta condição, como já dito.

No entanto, não podemos ignorar que muitos passos já foram dados para a plena inclusão. E isso em grande parte ocorreu em razão da Lei de Cotas.

É importante mencionar que diuturnamente a Lei de Cotas é colocada em cheque, em tentativas perante o Legislativo (projetos de lei que tentam mudar a Lei de Cotas), perante o Judiciário (ações judiciais buscando o direito de não cumprir a Lei de Cotas) e até mesmo perante o Executivo (tentativa de flexibilizar a aplicação da Lei de Cotas, com o perdão das multas do Ministério do Trabalho) e o Ministério Público (tentativas de firmar termos de ajuste de conduta em que se permita outras ações sociais, que não a contratação de pessoas com deficiência, para se dar por cumprida a Lei de Cotas).  Cabe a nós permanecer vigilantes, para que essa conquista que é histórica não seja perdida.

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i.social

Uma Reposta para “Contratação de Pessoas com Deficiência”

  1. On 2 de abril de 2017 at 22:26 Romildo da silva Duarte respondeu com... #

    sou deficiente físico , fui muito discriminado começando na família não acreditar que eu sou capaz, após 25 anos fui aceitando a minha deficiência e hoje sou funcionário publico professor na cidade de Junqueiro a noite , aqui na minha casa são 5 pessoas eu minha esposa e 3 filhas com estava com dificuldade de manter minha família consegui outro trabalho em Arapiraca de motorista de caminhão durante o dia e hoje estou cota pcd com a ajuda de medica do trabalho da adefal gostaria de te conhecer deputada Rosinha

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