Inclusão

Empregabilidade: uma Ponte a Construir

Texto extraído de: Cotas : como vencer os desafios da contratação de pessoas com deficiência / Andrea Schwarz, Jaques Haber. – São Paulo : i.Social, 2009

Uma sociedade como a brasileira, com tantos resgates sociais a fazer, inúmeras pontes devem ser construídas, unindo mundos que ainda não conseguem se enxergar plenamente. Um  desses caminhos a construir é o que liga o emprego ao conjunto de 24  milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência; um milhão e meio  deles vivendo na cidade de São Paulo. Segundo dados do Censo 2000,  mais de 52% são considerados inativos e mais de 78% não ultrapassaram  sete anos de educação formal. Neste caso específico, a ponte deverá ter como pilares básicos a legislação, a educação, o transporte e a informação.

A equação é de fácil  entendimento: sem acesso – arquitetônico, de transporte e pedagógico. – ao ensino, a pessoa com deficiência não desenvolverá as habilidades necessárias à inserção no mercado de trabalho. E, mesmo aqueles que  superam esse gargalo inicial, continuam tendo no transporte adequado e na  eliminação das barreiras arquitetônicas condições essenciais para exercer sua profissão.

Os demais ficam longe do emprego, uma vez que muitos não  têm sequer a atividade braçal como opção. Os três primeiros alicerces têm evoluído bastante, com avanços  concretos e experiências vitoriosas em diversos municípios. A lei já  disciplina a acessibilidade física em locais de grande circulação e há 18 anos  exige que as empresas com mais de cem funcionários destinem entre 2% e  5% das vagas de trabalho a pessoas com deficiência. Só na rede municipal  de ensino em São Paulo são mais de 10 mil alunos matriculados com esse  perfil.

Na capital paulista também circulam 3.600 ônibus acessíveis e 30  táxis adaptados (de um total de 80 alvarás expedidos), facilitando o acesso ao estudo, ao trabalho e ao lazer. Por que, então, muitas empresas reclamam não encontrar no mercado pessoas com deficiência para preencher as cotas estabelecidas por  lei, enquanto milhões de pessoas aguardam uma chance de bancar seu próprio
sustento? A resposta pode estar no quarto pilar acima descrito: a informação.

Diversas empresas, preocupadas apenas em cumprir a lei, reservam  vagas em níveis hierárquicos inferiores e pior remuneradas, sem perspectiva  de ascensão na carreira. Já outros empregadores adiam a contratação de  pessoas com deficiência – expondo-se até mesmo ao risco de sanções  legais – simplesmente porque imaginam que terão de investir muito para  ajustar seu espaço e alterar demais a rotina de trabalho da empresa.

É urgente orientar o empresariado sobre como mapear melhor as vagas existentes e mostrar quais adequações podem ser feitas, com
eficiência e baixo custo. É isto o que a Prefeitura de São Paulo vem fazendo por meio de programas como Inclusão Eficiente, Sem Barreiras no Trabalho e o Programa de Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, que buscam aproximar  empresas e pessoas com deficiência.

Nesse contexto, uma iniciativa como a do Itaú Unibanco, em parceria com a i.Social, torna-se mais um elo dessa
corrente, que tem como objetivo promover a cidadania e, em última análise,  transformar o Brasil em um país melhor.

Marcos Belizário
Secretário Municipal da Pessoa
com Deficiência e Mobilidade Reduzida

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i.social

3 Responses para “Empregabilidade: uma Ponte a Construir”

  1. On 26 de dezembro de 2012 at 15:49 Sueli Yngaunis respondeu com... #

    Embora o texto tenha sido extraído de uma publicação da I.Social de 2009, muitos pontos abordados por Marcos Belizário são atuais.
    Porém considerando que o censo de 2012 tenha revelado que são quase 46 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, e que a lei 8213/91 (conhecida como a Lei de Cotas) já alcançou a maioridade. Podemos deduzir que a progressão foi mais aritmética do que atitudinal.
    Mas não é uma briga de mocinhos e bandidos, mas sim um embate cotidiano vivenciado por pessoas com deficiência que estão correndo atrás de sua capacitação e dos seus direitos. E das pessoas que não tem deficiência a aprenderem a lidar com a diversidade, apesar dos mitos e preconceitos que “assombram” e “deturpam” a sua visão sobre o tema.
    Séculos de segregação e assitencialismo roubaram da sociedade a oportunidade de viveram experiências comuns junto com as pessoas com deficiência. Essa falta de experiências comuns criaram pontos de vistas “enviesados”, pois as atitudes e comportamentos das pessoas podem ser mal interpretados, ou nem notados.
    Termino o meu comentário com uma pergunta aos recrutadores: Em um processo seletivo vocês avaliam as competências dos candidatos que possuem algum tipo de deficiência, ou precisam apenas preencher cotas?

  2. On 26 de dezembro de 2012 at 15:51 Sueli Yngaunis respondeu com... #

    ERRATA: O censo do IBGE foi realizado em 2010.

  3. On 4 de janeiro de 2013 at 18:16 RAFAEL MARCOS GARCIA respondeu com... #

    Parabéns pelo site. Jesus é fiel

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