Inclusão

Empresas inclusivas: a inclusão além da cota

Empresas inclusivas a inclusão além da cota

O que é uma empresa inclusiva?

É aquela que cumpre sua cota de profissionais com deficiência? Ou até que ultrapassa sua cota legal? Entendemos que não. Cumprir a cota é uma atitude necessária para atender a legislação, mas não garante que a empresa seja inclusiva.

O conceito de empresa inclusiva vai além do cumprimento da cota. Caracteriza-se, principalmente, pela promoção e adoção de boas práticas relacionadas a contratação, desenvolvimento e retenção de pessoas com deficiência em igualdade de oportunidades com os demais funcionários da organização.

Esse conceito é um grande diferencial no que diz respeito à inclusão social, pois garante qualidade ao processo de empregabilidade de profissionais com deficiência e contempla um conjunto de ações interdisciplinares que vão além do recrutamento desses profissionais com vistas apenas para o cumprimento da legislação de cotas¹.

A lei de cotas¹ – que, em 2016, completa 25 anos desde a sua implantação – tem o papel de garantir o direito das pessoas com deficiência a um trabalho formal, provendo, assim, um mercado de trabalho mais inclusivo. Para ampliar a qualidade da inclusão que é praticada, não podemos nos limitar ou nos contentar apenas com ela.

Na contração de profissionais com deficiência, os critérios analisados pelas empresas inclusivas são as competências e as qualificações de um candidato, alinhando valores como qualidade de vida, respeito à diversidade e ética profissional. Além disso, a prática de desenvolver e acrescentar novos instrumentos que estimulem as empresas a pensar e praticar a inclusão, além do cumprimento da cota, é um fator que torna o processo de inclusão mais qualitativo e abrangente.

Mas, na prática, isso quase não acontece. A lei de cotas acaba por ser vista como uma obrigação para as empresas – o que, por sua vez, contribui para o despreparo de líderes, gestores e, consequentemente, traz como resultado baixa qualidade na oferta de vagas, descumprimento da lei, barreiras sociais/culturais e estagnação profissional. Infelizmente, apenas 9% das empresas declaram que contratam pessoas com deficiência por acreditar no potencial delas, enquanto 86% das empresas contratam apenas para atender a legislação de cotas².

As empresas inclusivas, por outro lado, olham para seus colaboradores pelo seu potencial, oferecendo-lhes um plano de carreira consistente e que respeite as individualidades e limitações de cada um. O trabalho formal, previsto por lei, deve colocar a pessoa com deficiência em pé de igualdade e respeito aos demais trabalhadores. É importante considerar, no entanto, que este profissional terá suas dificuldades e limitações a serem superadas, e o ambiente de trabalho deve assegurar boas condições para o exercício pleno de suas funções, aptidões e habilidades.

Para garantir mais qualidade ao processo de inclusão de pessoas com deficiência nas empresas é preciso, em primeiro lugar, entender a dimensão do processo de inclusão e reconhecer os desafios intrínsecos a ele. Identificar, reconhecer e divulgar práticas inclusivas é um bom começo para as empresas realizarem trabalhos inovadores e consistentes sobre o tema. O fundamental é tirar o foco do programa do cumprimento da cota e passar a centrar esforços na valorização da diversidade e nos benefícios da empresa ser inclusiva.

Promover um ambiente inclusivo que ofereça ao funcionário com deficiência a oportunidade dele se desenvolver profissionalmente, superar suas dificuldades e entregar os resultados esperados deve ser um papel assumido tanto pela empresa quanto pelo líder direto. Com essa compreensão, deve-se estruturar um programa de inclusão com o objetivo principal de oferecer igualdade de oportunidades para todos os funcionários, independentemente de possuírem ou não alguma deficiência. Afinal, o cumprimento da cota deve ser uma consequência natural de um Programa de Inclusão bem estruturado e que valorize a diversidade no ambiente de trabalho.

²Os dados são da pesquisa “Profissionais de Recursos Humanos – expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho”, realizada em 2015 pela i.Social.

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