RH Inclusivo

Entrevista: Empresas ainda restringem a contratação de candidatos por causa de sua deficiência?

Empresas restringem a contratação de candidatos por causa de sua deficiência

“As empresas que restringem a contratação de um profissional qualificado por conta de sua deficiência estão, na verdade, perdendo ótimas oportunidades.” Renata Casimiro, diretora de RH da i.Social, aponta pontos de melhoria no processo de inclusão e dá dicas para os candidatos conseguirem uma recolocação profissional mais rápida.

A procura por uma oportunidade de trabalho aumentou, ao mesmo tempo em que o desemprego entre pessoas de todas as idades também vem crescendo a cada dia – isso vale tanto para as pessoas com deficiência quanto para aquelas sem deficiência.

No caso das PCDs, especificamente, existe uma cobrança maior: além da procura por um emprego, os candidatos precisam constantemente mostrar que sua deficiência não é um fator limitante para que eles possam exercer suas atividades com excelência.

Contudo, o mercado está sempre à busca dos melhores profissionais, os mais qualificados e aqueles tem tenham o perfil dentro da vaga ofertada. Como o candidato pode se destacar da concorrência e conquistar a vaga que deseja?

Nesta entrevista, Renata Casimiro, diretora de RH da i.Social, derruba o mito de que as pessoas com deficiência são menos qualificadas que as pessoas sem deficiência e mostra, entre outras questões, por que é tão importante que o profissional se mantenha atualizado na sua área de atuação.

Leia na íntegra abaixo:

1 – Quando precisam preencher a cota exigida por lei, ainda é comum que as empresas prefiram ou busquem por candidatos com deficiências consideradas mais leves? O que o RH e as empresas de consultoria podem fazer para mudar essa visão?

Renata Casimiro: Nosso contato com profissionais de RH é intenso e faz parte do nosso trabalho diário educar, conscientizar e informar sobre o mundo de possibilidades existentes para incluir pessoas de todos os tipos de deficiência na empresa, afinal a deficiência não deveria ser fator restritivo para incluir, mas sim (e apenas) se a pessoa não possui qualificação e o perfil para a vaga. As empresas que restringem a contratação de um profissional qualificado por conta de sua deficiência estão, na verdade, perdendo ótimas oportunidades.

2 – Como você avalia a qualificação das pessoas com deficiência?

Renata: A qualificação das pessoas com deficiência não é muito diferente das pessoas sem deficiência. A alegação de que os profissionais com deficiência são pouco qualificados é um mito, uma lenda… A i.Social, por exemplo, possui mais de 100 mil currículos de pessoas com deficiência, sendo que aproximadamente 85% deles são compostos por profissionais que têm qualificação mínima de ensino superior incompleto, cursando ou completo para cima.

3 – Que dica você daria para candidatos que não conseguem conquistar uma vaga?

Renata: A principal dica é manter o currículo atualizado e se candidatar às vagas que estejam dentro do seu perfil profissional. Os dados de contato devem estar sempre atualizados, principalmente o número de telefone e e-mail. É importante, também, atualizar as experiências profissionais, conseguindo discorrer acerca de todas as atividades desenvolvidas na sua carreira profissional de forma clara e objetiva. Assim, o profissional conseguirá avaliar de forma mais clara seu perfil profissional e buscar uma vaga com base em seu currículo.

4 – O banco de currículos da i.Social tem as áreas de administração, bancos e atendimento ao cliente como as mais procuradas pelos candidatos. A oferta de vagas por parte das empresas para essas áreas é equivalente à procura?

Renata: Sim, trabalhamos com uma média de 300 vagas por mês em todos os níveis hierárquicos. Diariamente são abertas novas posições e todas as vagas são divulgadas em nosso site, onde tentamos descrever de forma clara as atividades do cargo, a localidade e o salário ofertado. Como o volume de candidaturas nas vagas é bem grande, os processos seletivos acontecem de forma rápida. Como dica, o candidato deve acompanhar diariamente as posições em nosso site, pois isso vai ajudá-lo em uma recolocação mais rápida.

5 – As consultorias têm alguma influência sobre as vagas que são ofertadas? Alguns candidatos acreditam que “a i.Social não tem vagas dentro do meu perfil”, o que você acha disso?

Renata: Infelizmente temos pouca influência sobre as vagas que as empresas abrem com a i.Social, mas não significa que deixamos de tentar sempre melhorar a qualidade delas, seja conversando com os profissionais de RH, apresentando dados sobre a qualificação de nossos candidatos ou mesmo desenvolvendo conteúdos informativos para orientar e educar o mercado. Entretanto, a decisão sobre as vagas que são disponibilizadas aos profissionais é da empresa, não apenas dos profissionais de RH (que são normalmente mais sensibilizados), mas especialmente da alta liderança e dos gestores. Esses últimos dois públicos necessitam de mais informação e conscientização para ampliar as possibilidades e oportunidades às pessoas com deficiência.

6 – Sempre vemos relações de áreas de crescimento e/ou áreas promissoras para as pessoas sem deficiência… E para as pessoas com deficiência, como anda o mercado de trabalho para algumas áreas e/ou profissões?

Renata: Não vejo nenhuma diferença no mercado de trabalho para pessoas com ou sem deficiência. O mercado nos últimos anos evoluiu bastante nas contratações de profissionais com deficiência e essa evolução faz com que nos dias atuais as oportunidades oferecidas sejam iguais. Assim, as empresas buscam cada vez mais por profissionais mais qualificados. Dentro desse contexto, é de grande importância o profissional se reciclar e se atualizar com as mudanças da sua área de escolha. Ter conhecimento em um segundo idioma tem sido um grande diferencial no currículo do profissional.

7 – No geral, as pessoas com deficiência que mandam currículos para a i.Social ocupam vagas de acordo com suas formações técnicas ou superiores? Se não, o que leva a essa situação? Necessidade/urgência para trabalhar, talvez?

Renata: A grande maioria dos profissionais com deficiência consegue uma recolocação através do nosso serviço dentro da área de interesse e atuação. O que tivemos de mudança nos últimos dois anos foi um número maior de pessoas desempregadas (e nessa condição há mais de seis meses) e, como consequência desse tempo fora do mercado, muitos profissionais passaram a aceitar propostas salariais bem menores do que a sua última remuneração. Além disso, muitas vezes eles pleiteiam vagas juniores, mesmo após muitos anos de experiência na área.

A i.Social é uma consultoria com foco na inclusão social e econômica de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Acesse nosso site ou entre contato conosco para conhecer nossos serviços, vagas e treinamentos: i.Social – Soluções em Inclusão Social.

atendimento@isocial.com.br | (11) 3891-2511

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