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Hand Talk: Criatividade e Inovação da Molecada Brasileira

Texto extraído de: Terra, Blog do Tas

O Brasil possui quase 10 milhões de pessoas (dados do IBGE) com algum tipo de problema auditivo, entre elas uma parcela que depende exclusivamente da LIBRAS – a língua brasileira de sinais – para se comunicar. Nunca parei para tentar entender a LIBRAS, pensava que era algo para iniciados ou especialistas, além dos surdos que usam o gestual para se comunicar.

Três moleques alagoanos mudaram completamente não apenas a visão que eu tinha da LIBRAS mas a capacidade de brasileiros produzirem softwares de alta performance. Ronaldo Tenório, Carlos Wanderlan e Thadeu Luz desenvolveram o Hand Talk, um aplicativo para smartphone de uma eficiência chocante. Você clica e Hugo, um boneco magrelo com cara de nerd, surge na tela e traduz instantaneamente para LIBRAS qualquer coisa que você fale, fotografe ou escreva para ele. Simples assim.

O download do Hand Talk é grátis!

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No WSA 2013 – World Summit Award -, evento organizado pela ONU que premia inovação em mobile, o Hand Talk concorreu com 15 mil aplicativos de vários países diferentes e foi eleito o melhor app social do mundo.

A fase classificatória 2014 do WSAmobile awards aconteceu neste início de Agosto, em São Paulo, dentro o Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência. Estive na entrega dos prêmios aos classificados na noite do dia 2 de Agosto, no Anhembi, e pude comprovar que a criatividade caminha em escala quântica. É um alento e estímulo para milhares de jovens talentosos do soft power brasileiro. Pode estar se aproximando a hora de, além de minério de ferro, banana e soja, exportarmos criatividade e inovação.

Abaixo, entrevista dos criadores do Hand Talk ao Blog do Tas.

Como surgiu a ideia para o app e quanto tempo de pesquisa foi necessário para o desenvolvimento do Hand Talk?
A ideia surgiu na época de faculdade e ficou “engavetada” por muitos anos. Em 2012, resolvemos colocá-la em prática e de lá pra cá o projeto foi ganhando cada vez mais corpo. Estamos trabalhando também junto com a Universidade Federal de Alagoas em um projeto de pesquisa que já possui mais de 10 anos de estudos em Tecnologia Assistida em LIBRAS.

Qual foi o principal desafio do projeto?
O principal desafio é tentar desvendar uma área praticamente inexplorada. Tivemos que criar nossas próprias metodologias e suar bastante para construir uma plataforma robusta, e que será aperfeiçoada a cada dia.

É possível aplicar esse conhecimento no desenvolvimento de outros apps de inclusão social, como por exemplo algo direcionado aos deficientes visuais?
Nosso foco hoje é desenvolver tecnologias assistivas para a comunidade surda, que necessita muito delas para ter mais autonomia e obter mais conhecimento em sua língua oficial, a LIBRAS. Além do Hand Talk, temos outras aplicações onde o Hugo, nosso intérprete virtual, está presente. Estamos implantando totens de acessibilidade em empresas, onde o usuário poderá interagir, funcionando como uma espécie de auto atendimento ao surdo. As aplicações são infinitas, e onde tiver conteúdos em português a gente consegue implementar o tradutor!

Quais os próximos passos para o projeto? Qual a expectativa de vocês?
Primeiramente queremos ampliar ainda mais o impacto social que a plataforma está proporcionando, ajudando cada vez mais as pessoas a se comunicarem, e além disso difundir a LIBRAS em nosso país. Já temos cerca de 40 mil downloads do aplicativo e já traduzimos quase 1 milhão de palavras em apenas 1 mês de lançamento. O App também é um dos mais baixados do Brasil atualmente.

Quais as tecnologias inovadoras no campo da conversão de linguagens e qual o impacto que elas podem representar quando colocadas em prática?
Existem muitos estudos na área de conversão de linguagens e todos eles tem um objetivo em comum: aproximar pessoas. Com a facilitação da comunicação entre as pessoas conseguimos fazer com que elas dialoguem, troquem experiências e aprendam umas com as outras.

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