Inclusão

Inclusão de pessoas com deficiência na empresa: custo ou investimento?

Inclusão de pessoas com deficiência na empresa

Por Jaques Haber, da i.Social

A Lei de Cotas (lei nº 8.213/91) garantiu às pessoas com deficiência o direito ao trabalho, bem como o dever das empresas com 100 ou mais funcionários de contratarem esses profissionais. Certamente essa relação entre direito da PCD e dever do empregador estimulou a abertura do mercado de trabalho para os profissionais com deficiência e o tema “inclusão” passou a ganhar destaque no mundo corporativo.

Motivadas pela fiscalização e pelo cumprimento da legislação, muitas empresas passaram a contratar pessoas com deficiência, entretanto, é justamente aí – no que parecia ser a solução – que encontramos o principal problema atual: a falta de qualidade no processo de inclusão.

Ao focarem suas ações de inclusão na obrigatoriedade de cumprir as cotas determinadas na legislação, as empresas se limitaram a contratar candidatos somente por suas deficiências e deixaram de lado algumas questões complementares e necessárias, como acessibilidade, cultura organizacional e planejamento de carreira, por exemplo.

Quando o foco é bater a meta da cota, a inclusão de pessoas com deficiência é encarada pela empresa como custo. Assim, são destinadas as piores vagas a esses candidatos para que o custo de atender a legislação seja o mais baixo possível. Este é o grande erro de estratégia que as empresas cometem ao incluir pessoas com deficiência em seu quadro de colaboradores.

Quando é oferecida uma vaga pouco atrativa, sem acessibilidade e sem preparo da liderança, a empresa atrai uma parcela mínima de candidatos que se interessam em ocupá-la. Deixam de fora dos seus processos seletivos os candidatos mais qualificados, pois estes possuem pretensões maiores ou deficiências que exigem acessibilidade.

A empresa acaba perdendo a oportunidade de contar com profissionais repletos de potencial e que poderiam contribuir, de fato, para os seus negócios. Ou seja, profissionais que não representam custos, mas sim investimentos.

Portanto, cumprir a cota é importante, mas não pode ser o objetivo final, e sim uma consequência de um Programa de Inclusão estruturado e sustentável que contemple ações complementares ao recrutamento, seleção e contratação, especialmente no que se refere às questões culturais, como preparo da alta liderança, gestores, RH e colaboradores.

Essa mudança de perspectiva promove a contratação de pessoas com deficiência para o status de inclusão de profissionais com deficiência, e o custo das ações de inclusão passa a ser visto como investimento. Esse é o segredo, a mudança de chave para o sucesso do processo de inclusão.

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