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Lei de Cotas ainda é principal motivo para contratação de pessoas com deficiência, revela pesquisa

Lei de Cotas contratação de pessoas com deficiência

Fonte: FSB Comunicação

O cumprimento da Lei de Cotas é indicado por 86% dos profissionais de RH como o principal motivo para a contratação de pessoas com algum tipo de deficiência, revela pesquisa feita pela Catho e pela consultoria i.Social.

A valorização da diversidade foi citada por apenas 2% dos entrevistados, segundo dados divulgados hoje pelas duas entidades. O potencial do profissional e o perfil adequado para ocupar a vaga foram indicados como principal fator para contratação em somente 3% e 9% das repostas, respectivamente.

“A Lei de Cotas é de fundamental importância para a inclusão do profissional com deficiência no mercado de trabalho, mas é preocupante que ela ainda seja vista como principal razão para a contratação”, afirma Jaques Haber, sócio diretor da consultoria i.Social.

De acordo com Murilo Cavellucci, diretor de gente e gestão da Catho, a mudança nesse cenário envolve uma transformação na visão do RH sobre a pessoa com deficiência. “O profissional tem de ser avaliado primeiramente pelas qualidades que o credenciam a ocupar o cargo, independentemente da deficiência”, diz Cavellucci.

A pesquisa também mostrou que profissionais de RH e pessoas com deficiência têm percepções diferentes em relação aos fatores que tornam uma oportunidade de trabalho mais atrativa para um PcD.

Para 68% dos profissionais de RH, a acessibilidade é o principal aspecto a tornar uma vaga de emprego atrativa para um PcD. O ambiente de trabalho (colaboradores sensibilizados e informados sobre pessoas com deficiência) foi citado por 53% dos entrevistados.

Já entre pessoas com deficiência, o pacote de benefícios/plano de carreira e o salário aparecem como itens mais valorizados, tendo sido mencionados por 56% e 55% dos entrevistados, nessa ordem.

“Fica evidente que, ao contrário do que a área de RH avalia, os principais anseios do profissional com deficiência são muito parecidos com os de qualquer pessoa no mercado de trabalho. Ser bem remunerado e ter boas perspectivas profissionais também é fundamental para o PcD, mais até mesmo do que a questão da acessibilidade”, diz Haber, da i.Social.

Segundo a pesquisa, a maior parte dos profissionais com deficiência (54%) afirma que oportunidades ruins de trabalho são a principal barreira na carreira. Já na avaliação de 62% dos profissionais de RH, o principal obstáculo do PcD é a acessibilidade. Embora a maior parte dos profissionais admita que a Lei de Cotas é o principal motivo para contratar, a questão do foco exclusivo no cumprimento de cotas é citada como principal barreira por 49% dos profissionais de RH.

Os incentivos para a capacitação de pessoas com deficiência são apontados por 69% dos entrevistados como a principal contribuição para a inclusão de PcDs no mercado de trabalho. As campanhas de conscientização e os incentivos fiscais para empresas que investirem em acessibilidade e tecnologias assistivas vêm na sequência, com 62% e 52%, respectivamente.

Veja abaixo outros destaques da pesquisa Catho e i.Social:

* 60% dos profissionais de RH entrevistados acreditam que PcDs sofrem algum tipo de preconceito por parte de colegas, gestores ou clientes;

* 56% dos gestores admitem que chegam a entrevistar um PcD, mas apresentam resistência para contratá-lo;

* 60% dos profissionais de RH e 51% dos PcDs acreditam que a qualidade das oportunidades de trabalho é regular e que poderiam ser mais adequadas ao perfil dos profissionais.

A pesquisa entrevistou um total de 1.519 profissionais no período de 9 a 27 de maio de 2015 e também contou com apoio da ABRH (Associação Brasileira de RH).

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