Inclusão

Mitos e verdades sobre o mercado de trabalho para PCDs

Mitos e verdades sobre o mercado de trabalho para PCDs

Texto e imagem extraídos de Diretoria Eficiente

Desde a promulgação da lei 8.213/91 muito tem-se discutido a respeito da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. O fato é que, apesar das inúmeras oportunidades divulgadas por empresas com mais de cem funcionários – aquelas que são obrigadas por lei à fazer reserva de vagas – há um imenso hiato entre as pessoas com algum tipo de deficiência e o emprego.

Sendo assim, o objetivo desse post é justamente discutir alguns mitos e verdades sobre a inclusão de trabalhadores com deficiência, bem como os desafios a a serem enfrentados tanto pelas empresas quanto pelas pessoas que almejam uma colocação no mercado de trabalho formal.

1. Não existem pessoas com deficiência suficientes para preencher as vagas.

Mito. Segundo os estudos preliminares realizados pelo Instituto Ester Assumpção em 2012, se compararmos os números de pessoas com deficiência em idade ativa e aptas ao trabalho com o numero de vagas reservadas pela “Lei de Cotas” nas cidades de Belo Horizonte, Betim e Contagem, existem pessoas suficientes para preencher todas as vagas e ainda restariam 3.564 pessoas que poderiam ser absorvidas por empresas com menos de 100, trabalho autônomo ou informal.

2. As empresas não estão preparadas para receber pessoas com deficiência.

Verdade. Boa parte das empresas fazem pouco ou nenhum investimento na melhoria de acesso à pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida. E pior: a maior parte não se interessa em fazer. Existe até o extremo no qual a empresa prefere ser multada à cumprir a cota. De fato, fazer inclusão implica uma transformação cultural e arquitetônica e principalmente na remoção de barreiras, sejam elas arquitetônicas, atitudinais, comunicacionais, instrumentais, metodológica entre outras. E é um trabalho que demanda tempo. Mas de experiência, as empresas que adotam a inclusão e o respeito a diversidade como parte do planejamento estratégico da empresa tem colhido excelentes frutos. Afinal, não é piegas dizer que somos todos diferentes, não é verdade?

3. As pessoas com deficiência preferem receber benefício do que trabalhar.

Mito. O percentual de pessoas com deficiência é que recebem benefício é infinitamente menor que o numero total de pessoas em idade ativa. E ainda: Desde 2011, as pessoas com deficiência que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) podem ingressar no mercado sem perder o direito ao benefício. A presidenta Dilma Rousseff sancionou, projeto de lei que altera a Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), muda a definição conceitual de pessoa com deficiência e amplia a possibilidade de inclusão profissional desse público.

4. As pessoas com deficiência não tem qualificação.

Meia Verdade. É certo que parte das pessoas com deficiência tem dificuldades de acesso à escolarização e a formação profissional, contudo, nos últimos anos esse cenário tem mudado. Hoje salvaguardados por um arcabouço bem estruturado de leis que garantem acesso à educação e ao trabalho, cada vez mais pessoas com algum tipo de deficiência estão tendo acesso à educação e a formação profissional, sendo que, várias instituições tem se dedicado a oferecer curso de qualificação voltados especificamente para melhorar a competitividade das pessoas com deficiência no mercado.

5. O Turn-Over das pessoas com deficiência é mais alto.

Mito. Essa afirmação é uma constante no discurso dos gestores de empresas e recursos humanos: “As pessoas com deficiência saem da empresa para ganhar cinquenta reais a mais, e todo nosso trabalho de inclusão fica perdido.” Faço duas reflexões sobre esse tipo de afirmação: Primeira: Cinquenta reais pode não ser nada para quem ganha mais de cinco mil reais por mês, mas pode fazer a diferença no orçamento de quem ganha salário mínimo. Além do mais ninguém sai rasgando nota de cinquenta por aí… O segundo ponto é: Quando estamos satisfeitos em um trabalho, quando este nos oferece condições de crescimento, quando o ambiente é agradável dificilmente trocamos de trabalho para ganhar “cinquenta reais a mais”. O fato é que, pela obrigatoriedade da lei, as empresas tem tornado sinônimos os termos incluir e contratar, o que é quase uma heresia. Fazer inclusão é muito mais do que contratar: é garantir condições para que a pessoa produza de forma satisfatória, tenha acesso aos espaços sociais e, sobretudo, se sinta com parte da organização.

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Uma Reposta para “Mitos e verdades sobre o mercado de trabalho para PCDs”

  1. On 9 de agosto de 2016 at 20:20 LEANDRO MIGLIARD MAGALHAES respondeu com... #

    Com relação aos questionamentos 4 e 5. Sou Engenheiro mecânico (tudo bem que me formei antes de me tornar deficiente), depois de ter uma sequela física me especializei e agora estou cursando mestrado em engenharia mecânica. Eu prefiro trabalhar em empresas que me ofereçam desafio e oportunidades se um gestor acha que uma pessoa com deficiência vai sair por causa de R$50,00 é um erro, no mínimo deve ter algum problema na empresa a começar pela qualidade do gestor com este pensamento arcaico. No momento estou buscando recolocação e o que sinto é que aparecem menos entrevistas na minha área de formação do que antes e onde moro as vagas para as cotas são sempre para baixo nível escolar.

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