Inclusão, RH Inclusivo

O Trabalho e a Formação da PCD

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Texto extraído de: Esta vaga não é sua

Não é novidade que existe uma grande dificuldade em se inserir no mercado de trabalho quando isso exige adaptação e preparação por parte dos contratantes, e, embora esse cenário venha se modificando notoriamente, ainda é muito menos integrante do que poderia ser.

A falta de acessibilidade e informação por parte dos contratantes é um obstáculo muito grande. Esses obstáculos vêm desde a educação, que é muito prejudicada entre PCDs*, e mais de 78% [1] da população com deficiência tem 7 anos de educação ou menos. O despreparo na educação reflete de modo muito negativo, e causa uma dificuldade ainda maior para a potencial população com idade para ingressar no mercado de trabalho.

A regularização da Lei de Cotas para a contratação de pessoas com deficiência auxilia na oferta de empregos, mas a passos mais lentos do que se gostaria. Segundo uma pesquisa realizada em Santa Maria, RS, [2] o número de empresas que não estão a par da Lei de Cotas, e desconhecem como aplicá-la é grande. Muitas não se comprometem com a empregabilidade de PCDs.

O ambiente de trabalho em que se encontra o trabalhador com deficiência também precisa ser modificado, levando em consideração o tipo de deficiência, de modo que até mesmo a apresentação de documentos tenha de ser modificada (para Braille, por exemplo). Detalhes que fazem uma diferença crucial na inclusão do trabalhador. E mesmo que a empresa forneça acessibilidade adequada, ainda assim o trabalhador com deficiência precisa enfrentar discriminação e falta de informação, fator que deve ainda ser trabalhado pelo contratante com os colegas de trabalho e supervisores.

A oferta de cursos profissionalizantes muitas vezes negligencia a capacidade da pessoa com deficiência. Em Sorocaba, por exemplo, [4] são ofertados cursos como Biscuit, Crochê e Bijuteria. A formação nessas áreas é interessante, mas abranger as áreas ofertadas seria uma opção muito melhor. A carência de ofertas na educação é um fator limitante muito grave, e as pessoas com deficiência têm uma capacidade e potencial que faria a diferença no mercado, caso as devidas medidas fossem tomadas.

O que seria do Brasil, se milhões de pessoas com deficiência fossem capacitadas tal como suas habilidades e potencial permitem, e se houvessem ofertas de trabalho que condissessem com essa formação? E o que seria dessas pessoas, se tivessem essa oportunidade?

Há um espaço muito grande para melhoria. E ela vem ocorrendo, mas é preciso fazer muito mais ainda.

Contratar pessoa com deficiência, dependendo da dimensão da empresa, não é responsabilidade social. É obrigatoriedade. É inclusão social!
Lei nº 8.213, de 1991

*Pessoas com Deficiência

[1] http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BAFFE3B012BB0039E632D44/febraban.pdf

[2] http://bento.ifrs.edu.br/site/midias/arquivos/201007111045971tania_dubou.pdf

[3] http://www.portaldaempresa.pt/CVE/pt/FerramentasdeApoio/Guiao/listagem_gui_gestao/gui_valor_acrescentado_cidd_deficiencia.htm?Stage=4 [4] http://www.deficientefisico.com/a-questao-chave-na-empregabilidade-do-deficiente/

[4] http://www.deficientefisico.com/a-questao-chave-na-empregabilidade-do-deficiente/

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Texto de Natália Jaeger

Natália é estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e escritora por paixão. Já trabalhou como professora voluntária para o projeto CREAÇÃO e fez um ano de intercâmbio nos Estados Unidos.

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Uma Reposta para “O Trabalho e a Formação da PCD”

  1. On 29 de março de 2016 at 12:57 edgard evangelista da silva jr respondeu com... #

    edgard surdo quero trabalho

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