RH Inclusivo

Pesquisa: apenas 10% dos profissionais de RH se sentem preparados para entrevistar pessoas com deficiência

Levantamento da consultoria i.Social mostra que faltam informações disponíveis sobre o recrutamento e seleção de profissionais com necessidades especiais

Apenas 10% dos profissionais de recursos humanos se sentem preparados para entrevistar pessoas com deficiência. É o que constatou a pesquisa “Expectativas e percepções sobre o mercado de trabalho para PCDs”¹, realizada pela consultoria i.Social com 1.240 profissionais de RH. A pesquisa também foi feita em parceria com a Catho, a ABRH Brasil e a ABRH-SP.

De acordo com o levantamento, 22% dos entrevistados não se sentem aptos para essa tarefa e 68% afirmam que “poderiam estar mais preparados” para tal. As respostas foram colhidas entre os meses de setembro e novembro de 2017.

Para o Assistente Administrativo de Recrutamento e Seleção, Érico França, conduzir um processo seletivo com um profissional com deficiência não é mais difícil do que entrevistar candidatos sem deficiência. O que geralmente ocorre é que, no primeiro caso, o entrevistador foca sua atenção nas limitações que o candidato apresenta. Ou, então, busca por possíveis limitações que o profissional nem possui.

“De um modo geral, a entrevista avalia o que chamamos de ‘C.H.A – conhecimento, habilidades e atitudes’. Duas dessas competências já estão contempladas no currículo, quando bem elaborado; logo, a entrevista pessoal serve para avaliar as atitudes do candidato. Se o entrevistador estiver com sua atenção voltada apenas para a deficiência, certamente haverá maior dificuldade nesta etapa”, conta.

No caso da entrevista com um candidato surdo, Érico conta que o preparo do entrevistador é um grande diferencial para facilitar esse processo. “Se consideramos apenas a comunicação oral, será difícil conduzir a entrevista. Seria como conversar com uma pessoa de outro país num idioma que o entrevistador não domina – e não buscar conhecer esse idioma implica que ambos os lados tenham uma comunicação ineficiente, rasa e com alto risco de desentendimentos”, conta.

“Sabemos que a comunicação se dá de diversas formas (por imagem, escrita, gráfica etc.). Pensando dessa forma, o entrevistador dificulta a entrevista quando espera que apenas o outro conheça a sua realidade, e não o contrário dessa direção comunicativa”, complementa.

Dificuldades apontadas no recrutamento e seleção

Ainda de acordo com os dados obtidos pela pesquisa, 27% dos profissionais de RH nunca entrevistaram PCDs e 85% consideram ser mais difícil encontrar candidatos com deficiência para as vagas da empresa, em comparação com candidatos sem deficiência.

Quanto às principais dificuldades no recrutamento e seleção de pessoas com deficiência, apontadas nas 1.240 respostas, destacam-se a baixa qualificação dos profissionais com deficiência (19%), a falta de acessibilidade na empresa (15%) e a resistência dos gestores (14%).

“É curioso reparar que tais dificuldades estão interligadas, pois a falta de acessibilidade limita o recrutamento e seleção, já que não permite determinados tipos de deficiência no quadro de colaboradores da empresa, e a resistência dos gestores joga para baixo a qualidade das vagas que são oferecidas aos profissionais com deficiência”, destaca a pesquisa da i.Social.

“Com isso, fica a percepção de baixa qualificação das pessoas com deficiência, mas, na realidade, o recrutamento é que fica restrito a poucos tipos de deficiência e perfis de qualificação que possam vir a se interessar pelas vagas – que, na maioria das vezes, são de baixa atratividade ou voltadas para posições operacionais.”

Dificuldades para enquadramento na cota

A dificuldade em enquadrar a deficiência na cota também é grande: 64% dos profissionais de RH afirmam que encontram dificuldades para enquadrar os candidatos na cota e, também, que faltam informações ou conhecimento sobre os tipos de deficiência que são aceitos pela legislação.

Leia também:
Quais deficiências se enquadram na Lei de Cotas?

“Ainda faltam informações sobre essa questão, o que gera muita confusão para as empresas determinarem quem são seus funcionários passíveis de serem inseridos na cota de PCDs. Além disso, ao identificarmos que ainda há grande dificuldade no enquadramento, significa que também ainda há muita falta de informação e conhecimento por parte dos profissionais da medicina do trabalho – que, por sua vez, têm dificuldades em interpretar a legislação”, complementa a pesquisa.

¹ Você pode fazer o download da pesquisa gratuitamente em nosso site.
Acesse: isocial.com.br

Crédito da foto: Reprodução

A i.Social é uma consultoria com foco na inclusão social e econômica de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Acesse nosso site ou entre contato conosco para conhecer nossos serviços, vagas e treinamentos: i.Social – Soluções em Inclusão Social

atendimento@isocial.com.br | (11) 3891-2511

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *