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Pesquisa aponta despreparo das empresas para contratação de pessoas com deficiência

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Texto extraído de Massa News, por Patricia Tressoldi

A terceira edição da pesquisa Profissionais de Recursos Humanos: expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho”, realizada pela iSocial / Catho com o apoio da ABRH-Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), revela que 65% dos profissionais da área ‘poderiam estar mais preparados’ para recrutamento de deficientes. A pesquisa também revela que, por falta de informação, 64% possui dificuldade de enquadrar candidatos na cota estabelecida por lei.

A pesquisa engloba a opinião de 1.459 profissionais de RH das empresas instaladas no Brasil. Seu principal objetivo é apontar as dificuldades que as organizações enfrentam para contratar e manter os profissionais com deficiência.

Em 2016, o fato se agrava diante da visível retração dos empregos formais no Brasil, com consequências nas oportunidades para as pessoas com deficiência. 35% dos entrevistados afirmam que o mercado está retraído e 9% dizem que está praticamente inexistente neste ano, enquanto que esse volume era a opinião de 33% dos profissionais de Recursos Humanos nos dois últimos anos (25% retraído e 8% praticamente inexistente).

Em relação à qualidade das vagas, 60% dos entrevistados afirmam que é regular e que poderia ser mais adequada aos perfis profissionais, e 16% revelam que são ruins ou inadequadas. Sendo assim, os números demonstram que, na maioria das vezes, a escolha do candidato não se faz por suas competências e sim pela sua deficiência, invertendo o processo de seleção justo e eficaz.

“O RH estratégico age proativamente, pesquisando e elaborando conhecimento para municiar a alta direção na sua tomada de decisão. Identifica a questão da inclusão da pessoa com deficiência como vital para o negócio para manter-se competitivo. Os programas em desenvolvimento pelas empresas que já entenderam essa necessidade partem da revisão e alinhamento a valores contemporâneos que requerem mudança de modelos mentais presos ao preconceito e a discriminação”, afirma Jorgete Lemos, diretora de diversidade da ABRH-Brasil.

Preconceito

De acordo com a pesquisa, o preconceito está presente no ambiente de trabalho, seja ele por colegas (43%), gestores (33%) ou até por clientes (24%). Os números permanecem praticamente inalterados nos anos anteriores. Com relação a empresa ter um programa para quebrar o preconceito de gestores para a contratação da pessoa com deficiência, 73% dos entrevistados informam que não têm.

Outro dado identificado na pesquisa é a receptividade dos gestores com os candidatos deficientes. Para 59% dos entrevistados, os gestores têm resistência em entrevistar e/ou contratar profissionais com deficiência. Mas também é perceptível o aumento entre aqueles que não apresentam resistência: 41% em 2016 ante 33% em 2015.

Cotas

A Lei de Cotas, criada há 25 anos, ajudou a mudar o cenário de contratação e a incluir esses profissionais no mercado de trabalho. Porém, o que a pesquisa indica é que alguns pontos evoluíram, mas outros ainda necessitam de atenção.

Pela lei, as empresas com 100 ou mais empregados são obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência. Por conta disso, 86% dos entrevistados afirmaram que o principal motivo das contratações deste público é para atender a legislação.

“A contratação de PcD só para cumprir a Lei de Cotas, 86% segundo o estudo, mantendo-se neste patamar desde 2015, revela um estágio muito incipiente em termos de cultura e de gestão incompatível com o discurso que ouvimos da maioria das empresas. Essa seria uma fatia muito estreita a desarticular toda a cadeia evolutiva da gestão de pessoas”, completa Jorgete.

De acordo com o Ministério do Trabalho, o número de pessoas com deficiência ocupando uma vaga nas companhias é quase três vezes menor do que a real capacidade prevista na legislação. Conforme os registros da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho de 2014, foram declarados 381,3 mil postos e, se conseguissem atingir a quantidade prevista em lei, seriam 827 mil vagas destinas a este público nas empresas.

Baixa qualificação

Em relação à qualificação das pessoas com deficiência, 41% dos entrevistados consideram que estão abaixo da média, ante 34% em 2015 e 31% em 2014, o que demonstra uma percepção de queda na qualidade dos candidatos com deficiência.

A porcentagem dos profissionais de RH que julgam a qualificação positiva não chega a 7%: um pouco acima da média, 5%, e muito acima da média, 1%. Em 2014 e 2015, os candidatos um pouco acima da média estavam em 8%.

Obstáculos para processo de inclusão

Cerca de 59% dos entrevistados consideram como os principais obstáculos de inclusão nas empresas a “falta de acessibilidade”, seguido de “foco exclusivo no cumprimento da cota” (46%), “baixa qualificação de PcD” (40%) e a falta de preparo dos gestores (35%).

Em relação aos investimentos em tecnologia e infraestrutura para receber esses profissionais e em apoio à sua deficiência, 46% responderam que investem parcialmente.

2 Replies to “Pesquisa aponta despreparo das empresas para contratação de pessoas com deficiência

  1. Bom, particularmente ainda vejo pouco avanço na contratação de PCD. Primeiramente esse aumento de contratação se deu única e exclusivamente por uma questão legal, ou seja, a empresa contrata pq se vê obrigada a se encaixar na lei e não por mérito como seria o desejável. Segundo ponto é que claramente as empresas buscam pessoas com laudo porém com uma deficiência bem reduzida, ou que dê menos trabalho de adaptação em cargos que no geral não requer um nível de aprendizagem significativa.
    Terceiro ponto, quanto a especialização das pessoas com deficiência ser baixa em relação ao que se espera, é só analisar o tipo de educação que é oferecido no país, o baixo investimento, falta de estímulo e acessibilidade para que essa pessoa siga estudando, ou seja, no geral elas não dão conta de seguir sem ver uma luz no fim do túnel e passando por muitos percalços no ambiente escolar o que desestimula ainda mais a aprendizagem. Quarto ponto os profissionais de RH não conhecem a fundo as deficiências e por isso subjugam a capacidade real dessas pessoas.
    O último ponto e não menos importante, empresário reflita! Se acaso fosse seu filho fosse deficiente como você gostaria que ele fosse inserido no mercado de trabalho? De forma a cumprir leis ou de forma realmente produtiva?
    Eles só precisam de uma oportunidade para mostrar que podem ser muitas vezes mais competentes do que aqueles ditos “normais”.
    Marilyn Nascimento – Professora de Pessoas com Deficiência

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