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Pessoas com deficiência física ocupam a maioria das vagas destinadas a PCDs

De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2015, as pessoas com deficiência física ocupam a maioria das vagas destinadas a PCDs. Dos 356.342 profissionais com alguma deficiência trabalhando no país¹, cerca de 56% são deficientes físicos. O número é proporcional ao número de candidatos em busca de um emprego. No banco de currículos da i.Social, por exemplo, 54% dos candidatos têm deficiência física (23% auditiva, 22% visual e 1% intelectual).

Pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência: uma tentativa de igualdade de oportunidades

No texto anterior, abordamos que a deficiência auditiva é a segunda deficiência com maior empregabilidade no Brasil, representando 22,28% do total de 356 mil trabalhadores com deficiência empregados no Brasil. A deficiência intelectual encontra-se na terceira colocação².

Ainda de acordo com a Rais 2015, a renda média dos profissionais com deficiência física naquele ano era de R$ 1.755,95 mensais. Os demais salários médios encontram-se abaixo:

Deficiência física: R$ 1.755,95

Deficiência auditiva: R$ 1.615,62

Deficiência intelectual: R$ 883,15

Deficiência múltipla: R$ 1.495,65

Reabilitados: R$ 1.859,41

A remuneração do profissional varia, principalmente, de acordo com sua escolaridade e nível de qualificação. Contudo, vale considerar que o salário médio do brasileiro em 2015 era de R$ 1.853, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Outros dados também apontam que os profissionais assalariados (sem deficiência) com nível superior receberam, em média, R$ 5.349,89 por mês, enquanto aqueles sem nível superior ganhavam em torno de R$ 1.745,62 – uma diferença de 206,5%.

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) estabelece que o trabalhador com deficiência não pode ter salário diferente de outro trabalhador em igual função e carga horária. Caso isso aconteça, a Fiscalização do Trabalho autuará a empresa por discriminação e ela estará sujeita à multa administrativa de dez vezes o valor do maior salário pago pelo empregador.

Tendo em vista a questão da igualdade de oportunidades, as empresas têm criado estratégias para melhorar a inclusão das pessoas com deficiência em seus quadros de colaboradores.

De acordo com a pesquisa “Expectativas e percepções sobre a inclusão de PCDs no mercado de trabalho”, realizada em 2016 pela i.Social em parceria com a Catho, ABRH Brasil e ABRH-SP, determinar vagas exclusivas para pessoas com deficiência foi apontada como a estratégia que melhor funciona para incluir candidatos nas vagas da empresa – principalmente se o gestor precisa cumprir a Lei de Cotas (Lei nº 8213/91). Essa estratégia foi citada por 46% dos profissionais de recursos humanos entrevistados.

Entretanto, essa também é uma das principais dificuldades que os profissionais de RH enfrentam no recrutamento e seleção de pessoas com deficiência: “dificuldade em estabelecer vagas exclusivas para PCDs” foi apontada por 32% dos entrevistados quando perguntamos sobre as principais barreiras que dificultam a realização de um processo de inclusão justo e eficaz.

Ainda sobre essa questão, os indicadores mais apontados na pesquisa foram, respectivamente, “baixa qualificação das PCDs”, “falta de acessibilidade”, “resistência dos gestores” e “falta de banco de currículos confiável”. Esses pontos trazem algumas controvérsias…

A falta de acessibilidade no local de trabalho e a resistência dos gestores são duas barreiras (arquitetônicas e culturais) que devem partir da própria empresa. Buscar meios de informação e adaptações deve ser o primeiro passo.

Quanto à questão da baixa qualificação, vemos que o ingresso da pessoa com deficiência no ensino superior tornou-se mais fácil nos últimos anos – e isso vem contribuindo para o avanço do mercado de trabalho inclusivo. Dentre os mais de 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, 17,67% têm ensino médio completo ou estão cursando o superior, e 6,66% já concluíram uma faculdade.

Esses dados são do último censo do IBGE, realizado em 2010, portanto acredita-se que o número esteja muito maior em 2017.

Ainda assim, é preciso destacar que o processo de inclusão depende de uma mudança de cultura organizacional. Apenas assim será possível eliminar a resistência por parte das empresas em contratar profissionais com deficiência, além de corrigir percepções erradas sobre a qualificação das PCDs e a remuneração devidamente merecida por elas.

¹ Dados de 2015

² Necessita de confirmação, pois os dados da Rais 2015 não citam a deficiência visual em seu quadro comparativo com outras deficiências:

Pessoas com deficiência física ocupam a maioria das vagas destinadas a PCDs 2

Informações/Referências:
Rais 2015, Novo Notícias, IBGE, Uol Economia, Economia & Negócios – Estadão

3 Replies to “Pessoas com deficiência física ocupam a maioria das vagas destinadas a PCDs

  1. Meu filho tem deficiência intelectual leve vários cursos e ñ foi chamado para uma entrevista no dia D que teve em São Paulo na uninove. PRECONCEITO muito grande.Só já vagas pRa mudos surdos etc um Abisurdo.Indignação

    1. Sra Ofélia Boa tarde
      Não estão chamando nem para estas vagas ,pois sou deficiente auditivo e nem chamam também ,só para vagas inferiores.E realmente tem muito preconceito ,mas temos que cobrar.Vou passar o endereço do meu blog para senhora visitar e conhecer mais obre o assunto.Sou psicóloga e também batalho por um lugar ao sol.
      tdspelaacessibilidade.blogspot.com

      att Fabiane

  2. Tenho deficiência auditiva moderada e sou formada em curso superior so que me chamam para vagas inferiores e que não tem nada a ver com a minha formação.

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