Inclusão

Relato: “Empresas abrem processos seletivos para pessoas com deficiência apenas para atender a cota estabelecida em Lei”

Empresas abrem processos seletivos para pessoas com deficiência apenas para atender a cota estabelecida em Lei

Muitas empresas de recrutamento, principalmente aquelas que tratam mais do tema Inclusão e Diversidade são referências com seus trabalhos em relação ao tema. Operam com admirável consciência e profissionalismo os processos de triagem de profissionais inseridos nesta “fatia social”, vez que seus profissionais são especializados e vivem o dia a dia dos Portadores de Deficiência.

As empresas que restringem a contratação de um profissional qualificado por conta de sua deficiência estão, na verdade, perdendo ótimas oportunidades.

Renata Casimiro, diretora de RH da i.Social

Parece existir no comportamento das empresas uma prática que não parece muito correta, e essa não é apenas minha impressão, mas já está tornando-se um consenso. Refiro-me a prática de apenas abrir processos seletivos para PCDs com intento de “atender a cota”. A questão da inclusão justa e com equidade tem melhorado, mas o caminho ainda é deveras longo até que alcancemos o ideal.

As vagas oferecidas para os PNE’s na grande maioria são destinadas a subempregos, áreas exclusivamente operacionais, no rodapé da cadeia organizacional. Presenciei seleções em que na mesma sala encontravam-se Mestrados, MBA’s e até mesmo Escritores de Livros com experiências superiores há 10 anos, mas as vagas ofertadas eram para ASG ou Assistente Administrativo. Como se explica isso?

A procura por uma oportunidade de trabalho aumentou, ao mesmo tempo em que o desemprego entre pessoas de todas as idades também vem crescendo a cada dia – isso vale tanto para as pessoas com deficiência quanto para aquelas sem deficiência.

No caso das PCDs, especificamente, existe uma cobrança maior: além da procura por um emprego, os candidatos precisam constantemente mostrar que sua deficiência não é um fator limitante para que eles possam exercer suas atividades com excelência.

Renata Casimiro, diretora de RH da i.Social

Como consultor jurídico dentro do direito do trabalho, entre minhas competências, tenho o suporte em relações trabalhistas e sindicais. Sei que esse catálogo, que se constrói a partir de recrutamentos em larga escala, serve para apresentar em eventuais fiscalizações do MTE (que são raras e pouco fiscalizadas). Quando chegam as audiências com o Auditor Fiscal do Trabalho, servem para amparar solicitações de protelação de prazo.

São consecutivas as ocasiões em que os prepostos apresentam dados incorretos, tentando se valer das falhas do CAGED e outros sistemas (que, diga-se de passagem, é um absurdo que sistemas e departamentos governamentais não se comunicarem), mas seria tão mais prático trabalhar seus processos de recrutamento incluindo REAL E VERDADEIRAMENTE os PCD’s em processos regulares, tratando as competências comuns como indicadores passiveis de avaliação, balizando as diferenças relacionadas às deficiências de forma racional e NÃO segregadora.

A deficiência não é invisível ou destacável, mas a maioria dos profissionais com deficiência tem consciência de suas limitações, assim como desenvolve habilidades de transpor esses limites. Assim como o próprio saberá lhe responder se consegue atender determinada exigência ou requisito. Mas não há cabimento em submeter profissionais capacitados, experientes, seres humanos competitivos e habilidosos aos crivos injustos e incompatíveis com sua disposição.

O Portador de Necessidade Especial é um pensador por excelência, pois a grande maioria busca na capacitação intelectual seu mecanismo de transposição e superação da deficiência. Os PCD’s ou PNE’s (a nomenclatura, na minha humilde opinião, é mera formalidade) são empáticos, gentis, acolhedores, duplicadores e sagazes; são pessoas doces que enxergam a vida por uma perspectiva diferente.

Nós os deficientes, quanto mais naturalmente somos vistos e tratados, menos você enxergará as peculiaridades de nossas limitações físicas ou intelectuais de nossas “deficiências”. Quanto melhor você nos conhecer, terá a oportunidade de ver que somos como todos, com defeitos e qualidades, mas dotados de habilidades e competências que podem ser exatamente o que sua empresa e sua equipe precisa: alguém diferente disposto a fazer a diferença.

O texto acima foi publicado originalmente no LinkedIn Pulse pelo consultor jurídico Mario Henrique Vieira Quevedo, a partir de uma entrevista realizada com nossa diretora de RH, Renata Casimiro. A opinião expressa no artigo não condiz necessariamente com a opinião da i.Social. Acesse o artigo original diretamente neste link: Empresas ainda restringem a contratação de candidatos com deficiência apenas para atender a cota estabelecida em Lei?

A i.Social é uma consultoria com foco na  inclusão social  e econômica de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Acesse nosso site ou entre contato conosco para conhecer nossos serviços, vagas e treinamentos: i.Social – Soluções em Inclusão Social.

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4 Responses para “Relato: “Empresas abrem processos seletivos para pessoas com deficiência apenas para atender a cota estabelecida em Lei””

  1. On 23 de agosto de 2017 at 14:47 Mario Henrique Vieira Quevedo respondeu com... #

    😬 pensa na honra que sinto de ter um humilde artigo meu veiculado por uma das maiores consultorias de recursos humanos para inclusão de deficientes. Obrigado!

    • i.social
      On 26 de agosto de 2017 at 1:14 i.social respondeu com... #

      A honra é nossa, Mario Henrique. Muito obrigado! 😉

  2. On 23 de agosto de 2017 at 15:21 Renata respondeu com... #

    É com muita decepção que reafirmo essa colocação, essa semana fui chamada para uma vaga operacional administrativa, até ai tudo bem. Mas a vaga seria com o salario mínimo sem muitos benefícios sendo que, no meu caso, graduada, MBA em andamento e com 12 anos de experiência nas áreas administrativas e financeiras.
    Não que eu seja melhor que esse ou aquele, mas busquei me aperfeiçoar e me preparar para o mercado de trabalho. É desanimador e frustrante.

  3. On 31 de agosto de 2017 at 17:31 Mauricio Ferreira respondeu com... #

    “O Portador de Necessidade Especial é um pensador por excelência, pois a grande maioria busca na capacitação intelectual seu mecanismo de transposição e superação da deficiência.” Uma grande verdade não reconhecida pelas empresas. O pior é que poucas oferecem trabalho desafiador. Os serviços que executamos, ao menos pela minha experiência, são aqueles que ninguém mais quer fazer. O que sobra. Quando tem trabalho. As vezes me sinto pouco mais do que um vaso de plantas. Apenas parte da decoração…

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