Inclusão, RH Inclusivo

Trocar a Roda do Carro Com Ele em Movimento

Texto extraído de: Vida Mais Livre 
Muitas empresas vêm nos procurar para tratar da falta de sucesso no cumprimento da cota de contratação de pessoas com deficiência. E um dos argumentos mais frequentes é a baixa qualificação dos profissionais com deficiência disponíveis para o mercado. Em um mundo corporativo cada vez mais exigente quanto ao nível profissional e educacional dos candidatos, essa talvez seja uma queixa cabível.
Em 2006, a iSocial, em parceria com a FEBRABAN, realizou uma ampla pesquisa sobre o perfil sócio-econômico das pessoas com deficiência. O resultado foi assustador: mais de 78% dessa população têm até sete anos de estudos completos. Somando-se a isso, dados do Ministério da Educação também são preocupantes: de acordo com o Censo Escolar de 2007, dos mais de 650 mil matriculados na educação básica, apenas 1,2% são alunos com deficiência e, no ensino superior, é menos de 10 mil alunos, o que representa 0,15% dos alunos.
Voltando à realidade das empresas, a partir desse triste cenário educacional: uma das ações que tenho defendido em relação à inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho formal é a qualificação dessa população. O raciocínio se revela óbvio: existe a lei que obriga empresas a contratar pessoas com deficiência e temos um panorama educacional dessa população preocupante e limitador. Então, antes de essas pessoas assumirem seus postos de trabalho, a empresa deveria investir em capacitação. Essa qualificação pode ser técnica, voltada para o negócio da empresa; pode ser geral, recuperando a educação básica; e pode juntar as duas modalidades.
Mas, um ponto merece foco: tenho visto e acompanhado alguns programas de capacitação e os que mais têm dado certo são aqueles que já contratam a pessoa com deficiência. Ou seja, ao ingressar na qualificação a pessoa já tem um vínculo CLT, tem sua carteira assinada, benefícios, etc. Isso tem dado certo porque as pessoas com deficiência são abordadas por várias empresas e se o vínculo com a qualificação for frágil, ela acabará saindo.
Sabemos que a educação básica brasileira deve ser reestruturada em favor do atendimento – com qualidade – aos alunos com deficiência, mas, não podemos esperar isso acontecer para ajustarmos a situação das pessoas que já têm idade para entrarem no mercado de trabalho. Como dizem por aí, temos que trocar a roda do carro com ele em movimento…
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i.social

Uma Reposta para “Trocar a Roda do Carro Com Ele em Movimento”

  1. On 18 de julho de 2012 at 14:21 Danielle respondeu com... #

    Boa tarde pessoal da isocial, é com grande alegria que venho comentar esse post, pois de certa forma me incluo nas estatistica apresenta, pois so cadeirante, possuo deficiencia fisica, e possuo o ensino superior concluídodas, fazendo parte na minuria que possui ensino superior completo, no entanto não estou incluida no mercado de trabalho. É dificil entender o que o mercado brasileiro procura, eu possuo cursos de extensão na área financeira, e nem assim consigo trabalho descente com remuneração digna. É um mercado de trabalho muito difícil de se entender.

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